

Lado direito: Belanisia Alves Santana
Ao nascermos a única certeza que temos na vida é que vamos morrer.
Apesar de sabermos sobre a morte, de ter essa certeza, nunca estamos preparados.
Crescemos, somos educados, fazemos planos, realizamos alguns sonhos, sofremos, amamos, vivemos... Mas nunca imaginamos que as coisas podem acontecer conosco.
No último dia 9, eu tive que encarar a morte mais uma vez, não a minha morte, mas a morte de ente querido. Essa é a segunda vez nos meus poucos e bem vividos 25 anos que encaro a morte de alguém tão próximo.
Em 2006 meu querido e filósofo pai faleceu e tive que encarar um vazio, uma tristeza, uma solidão, uma saudade, uma indignação, encarei a burocracia... eu que organizei o funeral e todas as papeladas existentes nesse mundo. E agora mais uma vez me vejo indo ao DPT ou IML sei lá, pegando Rg, Cpf, tirando xerox, pagando coroa de flores, ligando para as pessoas, avisando que minha vó tinha falecido.
Uma senhora solitária que estava no inicio de uma doença chamada alzheimer, sofrendo pela morte de seu único filho, que viveu os seus 78 anos de vida para esse filho, que tinha dois netos, eu e meu irmão que só tem 12 anos e mora em outra cidade com a sua iluminada mãe (amo essa mulher, me traz paz e calma e tem uma grande alma).
Pois é, estou aqui sobrevivendo, refletindo sobre a morte, a saudade, o vazio, a solidão, a família...
Sei que a vida de Dona Belinha como era carinhosamente chamada, não foi nada fácil, e os últimos 3 anos desde a morte de seu único filho, foram os anos mais tristes da vida dela, ainda mais que olhar para mim é ver uma cópia feminina dele. E pra mim esses 3 anos também não foram nada fáceis, tentar ajudar uma senhora sofrida, misteriosa (a vida dela foi um grande mistério), guerreira, sofrendo de uma doença tão enlouquecedora, ser responsável por ela sem nunca ter sido responsável por ninguém a não ser eu mesma, não foi fácil... nesses 3 anos difíceis, mas não completamente infelizes, de momentos tristes, solitários, momentos de saudade, aprendi muitas coisas e essas são inesqueciveis.
Sei que a vida de Dona Belinha como era carinhosamente chamada, não foi nada fácil, e os últimos 3 anos desde a morte de seu único filho, foram os anos mais tristes da vida dela, ainda mais que olhar para mim é ver uma cópia feminina dele. E pra mim esses 3 anos também não foram nada fáceis, tentar ajudar uma senhora sofrida, misteriosa (a vida dela foi um grande mistério), guerreira, sofrendo de uma doença tão enlouquecedora, ser responsável por ela sem nunca ter sido responsável por ninguém a não ser eu mesma, não foi fácil... nesses 3 anos difíceis, mas não completamente infelizes, de momentos tristes, solitários, momentos de saudade, aprendi muitas coisas e essas são inesqueciveis.
Eu convivi muito pouco com minha vó Bela, até por que morei muito tempo longe, então eu não a conhecia, só sabia o quanto ela era religiosa, amava muito o meu pai, fazia a melhor carne moída com batatas e o melhor franguinho frito, e também o melhor ovo mole. Me olhava com aqueles olhos azuis claros de um brilho diferente e falava: "Mas é a cara do pai!".
Nesses últimos anos sendo a "cuidadora" dela, fiquei sabendo que ela veio de uma cidade chamada Tobias Barreto, sabia tocar violão, foi babá, foi costureira, teve aventuras amorosas, sofreu por amor, adorava coca-cola, pizza, minhas massas, os doces que eu fazia, conversava com tv (eu tb faço isso), comia escondido e dizia:"Não fui eu, nem gosto disso" (rs), contava histórias de Tobias Barreto, era preconceituosa, não queria viver com ninguém além dela mesma... nesses últimos anos além de conhecer melhor a minha vó Belinha, eu me conheci.
Foi difícil, mas valeu e muito...
Sei que agora ela está descansando, talvez não sofra mais (espero e rezo por isso).
Ainda não chorei o que eu deveria chorar, mas acho que pra sentir não é preciso chorar...
Ela sempre estará nas minhas orações e no meu coração.
5 comentários:
E venho aqui como professora que sou nas horas vagas dizer que vc é um exemplo vivo do que eu falo em sala de aula: só se aprende a escrever bem exercitando. Olha pra isso aqui! Cada dia melhor...
Talvez seja a veracidade dos sentimentos, afinal está tocando num assunto que mexe contigo. Mas o fato é que anda conseguindo passar seus sentimentos. E isso é muito bom. Tanto para vc quanto para quem lê!
.
Tô fazendo vários colares.
Tô na boca dos 10.
Vamos ficar ricas!
kkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkk
Bjão.
Por pura coincidência acabei caindo aqui. Justo hj que escrevi um texto falando sobre a morte da minha mãe.
Posso imaginar a dor que sentes.
Rezo para que Papai do Céu lhe dê toda força necessária e acalme teu coração.
Bjos!!!
amigaaaaaaaaaaa to voltando... bjaooo
Com certeza , de onde ela está irá iluminar sempre você.
Viajei em umas férias obrigatórias, aproveitei e dei uma esticada na casa de parentes.
Sou muito família.
Beijinhos fraternos!
Cara Jordana, que texto lindo!
Deu um aperto no peito ao saber que Dona Belinha não se encontra mais entre nós.
A pureza e o amor de suas palavras despertou em mim a vontade de conhecê-la.
Mas, só de saber que todas as aventuras e o carinho especial que uma tinha pela outra valeu a pena, já me compensa.
Um beijo carinhoso e peço a Deus que Ele te dê forças pra seguir seguir em frente.
Você é linda! =)
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